Crítica | Jojo Rabbit

Filmes sobre fascismo tendem a causar repulsa. Só aparecer figuras nazistas pra você franzir os olhos. Fato é que nazismo nunca é bom. Você abomina ou pode fazer como Taika Waititi, ironizar sobre suas ideologias toscas e o quão ridículos eles são. O cineasta entende o poder da comédia e do amor sobre o ódio, e faz de Jojo Rabbit uma sátira sobre a inocência. Apoiado nas incríveis atuações dos jovens Roman Griffin Davis e Thomasin McKenzie, você estará se entretendo com a relação sobre uma criança manipulada por “ideais” nazistas e uma jovem judia. É um filme sobre diferenças, o amor e descobertas. O longa faz questão de fazer dos nazistas pequenos, algo semelhante ao que Quentin Tarantino fez em Bastardos Inglórios.

Adaptado a partir do livro Caging Skies, de Christine Leunens, Jojo Rabbit apresenta Jojo (Roman Griffin Davis), um jovem nazista nos últimos anos da Segunda Guerra Mundial. Ele é apaixonado por Adolf Hitler, como as crianças comuns são apaixonadas por super-heróis. Ele é tão fã que seu melhor amigo imaginário é o próprio Hitler (Taika Waititi). Depois de um acidente com uma granada durante um fim de semana no campo nazista, Jojo fica preso em casa com sua mãe Rosie (Scarlett Johansson) fazendo tarefas domésticas para o Reich. No entanto, ele descobre que sua casa está abrigando Elsa (Thomasin McKenzie), uma jovem mulher judia. A princípio, Jojo a vê com suspeita e evita denunciá-la porque teme que ele e sua mãe sejam responsabilizados. Ele então começa a conversar mais com Elsa para “aprender” sobre os judeus e logo um vínculo começa a se formar, para grande consternação do imaginário Hitler.

Taika é bem direto em alertar sobre o atual cenário mundial, com uma crescente onda de supremacistas e discursos políticos movidos pelo ódio. Em vez de encarar os fascistas diretamente e tratá-los como iguais, o diretor zomba o tempo todo interpretando a figura infantilizada de Hitler.

O elenco está formidável e afiado. O pequeno Roman Griffin Davis apresenta um ótimo timing cômico. Com a ótima direção de Taika, Roman consegue transmitir com eficiência a mente confusa de Jojo diante de seus sentimentos em relação a Elsa, e a própria mãe, em uma brilhante performance Scarlett Johansson. Indicada ao Oscar, Johansson entregou duas grandes atuações na temporada (a outra foi em História de um Casamento). Em Jojo Rabbit, sua Rosie é uma mulher forte e adorável. Ela tentar segurar as pontas sozinha, vivendo em um mundo cada vez mais hostil. Sua arma para o crescente ódio é o amor. E com sua doçura ela tentar abrir os olhos do filho, cego de sua obsessão pelo nazismo. A cena que Rosie simula um diálogo com o marido é deveras tocante. Outro bom achado é Thomasin McKenzie no papel de Elsa. A jovem judia é uma mistura de melancolia e desilusão, mas sem jamais perder a esperança por dias melhores. Seu passatempo é brincar com cegueira ideológica de Jojo, onde ótimas cenas saem daí.

Jojo Rabbit é um filme necessário e importante para ser visto em família. Em meio a inocência e sátira que o filme traz, Taika Waititi explora um período sombrio e repugnante. As crianças, assim como Jojo, podem aprender que o fascismo é prejudicial e ridículo. A cena final é clara, o amor ao próximo deve ficar acima de toda e qualquer diferença.

Não é a toa que a sétima arte está sendo vista como ameaça diante do desgoverno de alguns líderes políticos. Taika e outros cineastas estão aí para cutucar na ferida e tratar suas ideologias rasas com o devido valor que merece.

4

Ótimo

É um filme sobre diferenças, o amor e descobertas. O longa faz questão de fazer os nazistas pequenos e ridiculariza-los, algo semelhante ao que Quentin Tarantino fez em Bastardos Inglórios.

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