Ler é Bom, Vai | A sombria história de Caixa de Pássaros

Hoje o Ler é Bom, Vai! está no clima do Halloween. Há muito tempo não tremia tanto ao ler um livro. Confesso que não sou muito fã de nada que envolva terror, mas devido ao enorme sucesso de Piano Vermelho na Bienal do Livro, fiquei curiosa para conhecer o trabalho do autor. Josh Malerman logo atrai seus futuros leitores pela arte que ilustra as capas sombrias e misteriosas de seus livros, e a semelhança entre elas me fez pensar que Caixa de Pássaros seria um antecessor do novo lançamento. As comparações terminam a medida que viramos a primeira página, mas se há algo que posso afirmar em relação ao autor é: não leia nenhum de seus livros no escuro.

“Romance de estreia de Josh Malerman, Caixa de pássaros é um thriller psicológico tenso e aterrorizante, que explora a essência do medo. Uma história que vai deixar o leitor completamente sem fôlego mesmo depois de terminar de ler. Basta uma olhadela para desencadear um impulso violento e incontrolável que acabará em suicídio. Ninguém é imune e ninguém sabe o que provoca essa reação nas pessoas. Cinco anos depois do surto ter começado, restaram poucos sobreviventes, entre eles Malorie e dois filhos pequenos. Ela sonha em fugir para um local onde a família possa ficar em segurança, mas a viagem que tem pela frente é assustadora: uma decisão errada e eles morrerão.”

Não se engane com a primeira palavra da sinopse, pois Caixa de Pássaros está muito longe de ser uma história fofa e emotiva de romance. Fiquei instigada com a frase escrita logo abaixo do título na capa, mas depois de um tempo lendo o livro, a mesma estava quase entranhada na minha cabeça. Essa é uma daquelas narrativas que mexe com a gente, fica na cabeça 24 horas por dia – olhando para qualquer pássaro que você enxerga na rua – e chega a invadir os sonhos. O melhor de tudo, e também o mais irritante, é que em momento algum sabemos com o que estamos lidando. O suspense persegue os personagens até o último momento e não nos deixa terminar a leitura até descobrirmos quem é o “grande vilão” por trás de todas as mortes. A única certeza que temos é de que há algo do lado de fora, independente de onde você esteja no mundo. Não há um sobrevivente para contar história, pois todos que cedem a curiosidade acabam por enfrentar um destino trágico pela frente (mutilações, suicídios e assassinatos, por exemplo). Já imaginou ter de colocar uma venda nos olhos sempre que quiser sair de casa? Bom, essa é a vida que os personagens são obrigados a se acostumarem.

Divulgação/Intrínseca

Malorie sofreu uma grande perda no passado, provocada pela força desconhecida que agora assombra o mundo. Disposta a enfrentar tudo para salvar a vida dos filhos, a mulher os cria com vendas nos olhos e os tradicionais ensinamentos infantis são substituídos por verdadeiras provas de vida. Estando literalmente no escuro, os três embarcam em uma missão suicida que pode ser sua última esperança de ter uma vida normal, mas o que já seria difícil com os dois olhos abertos se torna infinitamente mais complicado com eles fechados. Apesar de ser principalmente focado nela, Malerman nos dá uma breve contextualização de cada personagem, assim como cada um sofreu com a transformação no mundo. O desenvolvimento da narrativa faz com que nos apeguemos a alguns e criemos raiva de outros, além de nos transportar para dentro da história em cada situação.

O livro se passa no presente e no passado ao mesmo tempo, explicando no capítulo seguinte o que foi relatado no anterior. Ao mesmo tempo que temos um breve “spoiler” do que se passa no presente, esse formato de organização nos instiga a saber o que aconteceu com determinado personagem e antes que possamos perceber, o livro acabou. Fiquei esperando um banho de sangue ou milhões de pássaros assassinos comedores de gente, mas acreditem, os pássaros são o menor dos problemas. Não sei se foi uma espécie de marketing ou apenas para manter o clima de mistério, afinal, ficamos o tempo todo angustiados com a tal caixa.

“Ele poderia ter entrado em qualquer momento. Poderia ter quebrado uma janela. Poderia tê-la atacado quando ela ia pegar água no poço. Por que esperaria? Sempre seguindo, sempre rondando, só que ainda não estava pronto para atacar.”

Quando acabei de ler, fiquei brevemente indignada pela não revelação sobre as criaturas, porém, depois de refletir um tempo percebi que essa foi a grande jogada do autor. Quem ou o que são os tais “monstros” é o que menos importa, mas sim o comportamento humano diante de uma situação como essa. Nos vemos no lugar dos personagens e Malerman nos faz pensar se faríamos o mesmo ou teríamos reações diferentes. Estamos confortáveis na vida que levamos hoje em dia, entretanto, era como as pessoas do livro estavam vivendo antes do ataque. Estamos psicologicamente preparados para lidar com o desconhecido? Provavelmente não.

Caixa de Pássaros ganhará adaptação cinematográfica em breve, com um elenco composto por nomes como Sarah Paulson, Sandra Bullock e muitos outros. Com uma obra original como essa, nos resta torcer para que sua versão digital seja igualmente boa e angustiante.

 

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