Ler é Bom, Vai | O Navio dos Mortos é um ótimo desfecho para Magnus Chase

Infelizmente, a nova saga de Rick Riordan sobre mitologia nórdica chegou ao fim. Magnus Chase e os Deuses de Asgard finalmente encontrou seu desfecho em O Navio dos Mortos, publicado pela Editora Intrínseca. Sou suspeita para falar dos livros de Rick, afinal ele é meu autor favorito, mas esse foi sem sombra de dúvidas, um de meus favoritos. A história do filho de Frey não poderia ter terminado de maneira melhor, só gostaria que tivesse durado mais – lembrando que Percy Jackson teve cinco livros, assim como Heróis do Olimpo.

“Em O navio dos mortos, Loki está livre da sua prisão e preparando Naglfar, o navio dos mortos, para invadir Asgard e lutar ao lado de um exército de gigantes e zumbis na batalha final contra os deuses. Desta vez, Magnus, Sam, Alex, Blitzen, Hearthstone e seus amigos do Hotel Valhala vão precisar cruzar os oceanos de Midgard, Jötunheim e Niflheim em uma corrida desesperada para alcançar Naglfar antes de o navio zarpar no solstício de verão, enfrentando no caminho deuses do mar raivosos e hipsters, gigantes irritados e dragões malignos cuspidores de fogo. Para derrotar Loki, o grupo precisa recuperar o hidromel de Kvásir, uma bebida mágica que dá a quem bebe o dom da poesia, e vencer o deus em uma competição de insultos.” 

A mais curta até agora, a saga sobre mitologia nórdica de Rick Riordan acabou tão rápido que pode-se dizer ter sido a mais fraca – o que não a torna ruim, nem perto disso. O que acontece é que por serem apenas três livros, enquanto as outras sagas chegaram a cinco, não há tempo suficiente para criarmos um certo vínculo com Magnus ou com qualquer outro personagem. Durante as séries anteriores, quem não se apegou a Piper, Leo, Annabeth e Grover? Mesmo tendo escolhido nossos preferidos – Blitzen, Alex e Hearthstone, no meu caso -, ficamos mais preocupados com os acontecimentos em si do que com seus protagonistas. Independente disso, não há como negar que o autor consegue fazer sucesso com qualquer coisa que escreva. Por ser fã do assunto, fiquei extremamente feliz com aquilo que li, principalmente no último volume da trilogia.

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O vilão principal da história, Loki, se repete nos três livros e apenas algumas figuras novas surgem no caminho. Por ser novato no ramo de heróis, Magnus conta com a ajuda de um velho conhecido nosso, um certo semideus filho de Poseidon. Para a felicidade geral da nação, Percy Jackson está de volta ao lado de Annabeth e, mesmo que por algumas páginas, é possível matar a saudade de um de nossos casais favoritos. O cabeça de alga é quase um irmão mais velho para o protagonista, treinando-o para sua perigosa viagem pelo oceano, sem perder a oportunidade de brincar com ele.

Não pense que Rick usou Percy para tentar ressuscitar sua história. Caso você tenha lido outros livros do autor, sabe que ele adora trazer de volta figuras conhecidas pelos fãs. Além disso, não podemos esquecer que Magnus é primo da namorada do garoto, então não haveria como ambos não aparecerem em algum momento da trama. A integração feita entre os três é a melhor possível, fazendo com que a chama de desejo por um possível crossover entre todas as histórias só aumente. Quem nunca sonhou em ler algo com Percy, Jason, Piper, Leo, Carter, Sadie, Magnus, Samirah e até mesmo Apolo?

O que mais me agradou em O Navio dos Mortos foram as referências. Desde Senhor dos Anéis a Star Wars, Rick faz questão de agradar seu público. Ao reconhecer um assunto, nos sentimos ainda mais próximos do universo criado pelo autor e só devoramos o livro mais rapidamente. Todos os personagens inseridos nos dois anteriores estão de volta e ainda mais próximos. Mesmo sendo o desfecho da trilogia, ainda há espaço para o surgimento de figuras novas, como os deuses Freya, Njord e Skadi. Os dois primeiros fazem parte da história familiar de alguns dos personagens e, com isso, temos a chance de conhecer mais profundamente suas vidas. O mesmo se repete com outros membros do grupo de Magnus, que até então conhecíamos pouco e após terminar a leitura, nos encantamos ainda mais com suas difíceis trajetórias.

O livro é narrado pelo ponto de vida do filho de Frey, o que nos permite ter uma visão engraçada e irônica de toda a batalha. Magnus é o protagonista mais “gente como a gente” criado por Riordan, visto que está completamente perdido em meio a tanta bagagem histórica. Para quem estava acostumado com a valentia e heroismo de Percy, ver um moleque atrapalhado e piadista assumindo o posto de liderança é super divertido. Não há como mencionar o garoto sem falar de sua fiel espada falante. Mesmo sendo um pouco bobo, ri diversas vezes com as falas e cantorias de Jacques, trazendo um clima mais ameno em meio a tanto caos.

“Eu assenti e concordei que ele tinha dedos mindinhos bem reluzentes. Também desejei não ter uma família tão esquisita.”

Por fim, a única crítica que posso fazer a Navio dos Mortos é por ser o último. Com esse livro só percebi mais uma vez o quão gosto de Rick Riordan e seus trabalhos. Devorei o terceiro volume como fiz com os dois primeiros e, posso dizer com convicção que foi o meu favorito. Só nos resta esperar pelo próximo lançamento de As Provações de Apolo, que pelo visto irá unir muitos de nossos queridos personagens.

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