Ler é Bom, Vai | Muitas Águas, de Madeleine L’engle

Embora seja muito fã de ficção, confesso não ter me apaixonado de cara pela série Uma Dobra no Tempo. Demorei para entender o espírito da história de Madeleine L’Engle, o verdadeiro significado de tudo. Visto que estamos diante de um livro destinado ao público mais jovem, a trama beira o bizarro. Mas felizmente logo compreendi o que estava lendo. Assim como é estampado em suas capas, muito bem desenvolvidas pela Editora HarperCollins Brasil por sinal, a trajetória dos personagens fala sobre magia. O irreal se mistura com a ciência, trazendo o melhor de todos os mundos. Quando recebi em casa o quarto volume da série, Muitas Águas, novamente me apaixonei. É provável que essa seja minha capa favorita de todas, mas isso pode-se dar ao fato de que amo o roxo.

Sinopse

Sandy e Dennys, os gêmeos da família Murry, sempre foram práticos, realistas e nunca prestaram muita atenção às conversas dos pais cientistas sobre coisas altamente teóricas como tesseratos e farândolas. Mas, após um acidente no laboratório do sr. e da sra. Murry, algo acontece com eles que desafiará drasticamente suas capacidades de crer no impossível. Com um desastre à vista, será que os gêmeos conseguirão encontrar uma maneira de voltar à realidade? 

O Livro

Como já foi falado, Muitas Águas é o quarto livro da série Uma Dobra No Tempo. Entretanto, não é obrigatório que você tenha lido quaisquer dos três volumes anteriores, apenas recomendável. Os personagens amados que já conhecemos estão de volta, mas logo é possível perceber que não estamos lidando com uma continuação. Enquanto em Vento à Porta temos uma versão adulta de Sandy e Dennys, em Muitas Águas a idade cronológica dos gêmeos retrocedeu. A história agora se passa anos antes daquela contada no terceiro livro. A família Murry de volta, mas agora o foco está nos gêmeos ao invés de Meg e Charles Wallace. Divertidos e extremamente inteligentes, distinguem cada vez mais dos irmãos a cada página.

Muitas Águas
Divulgação

Embora estejam rodeados de nomes como farândolas e tesseratos, os gêmeos aprenderam a ser céticos. Acreditando na ciência acima de tudo, são extremamente realistas. Enquanto Sandy quer ser advogado, Dennys busca se encontrar na medicina. Uma vez que já temos a história do terceiro livro, é possível saber que tais sonhos foram realizados no futuro. No momento presente de Muitas Águas, ambos estão terminando o ensino médio, e sua única preocupação no momento é o time de hóquei. Quando o mal tempo impede a continuação de um treino, os irmãos vão para casa mais cedo e decidem fazer um lanche. Conforme procuram por um chocolate em pó específico, adentram o laboratório da mãe. O que não imaginavam, porém, é que sairiam de lá e cairiam direto em um lugar muito muito distante.

Muitas Águas

Lembram-se quando a avó contava-lhes para tomar cuidado com o que deseja? Sandy e Dennys descobriram isso da pior forma. O frio os estava incomodando, e eventualmente desejavam pelo calor. Mas não imaginavam que haveria um experimento em andamento no laboratório dos pais naquela noite. Antes que pudessem piscar, se viram em um lugar muito quente e pouco habitado. Em meio a criaturas sobrenaturais incríveis, unicórnios e forças fora de seu controle, os gêmeos Murry precisam acreditar para voltar pra casa. Será que a mente realista dos irmãos irá ajudá-los?

A série de Madeleine L’Engle começou a ser escrita em 1962, e Muitas Águas foi publicado 24 anos depois. Decerto que você não imaginou se tratar de uma história de ficção evangélica quando começou a folhear as páginas. Com tanto vocabulário científico e complexo, parece absurdo pensar em uma trama voltada para cunhos religiosos. Quando descobri tal fato, porém, comecei a ler as palavras da autora com outros olhos e reparei. Realmente é possível perceber referências a passagens da bíblia, mas não de forma que torne necessário ter uma crença para gostar da história.

Uma Dobra no Tempo
Divulgação

O Que Achamos?

Como mencionado previamente, estamos diante de uma ficção originalmente escrita com propostas religiosas. Como não sigo uma crença em específico, só pude reparar em tais referências após ler sobre a autora. Os detalhes são sutis e não muito claros, fazendo com que qualquer tipo de leitor possa se encantar pelos livros. Se você já chegou até aqui, é provável que já tenha se acostumado com o estilo de Madeleine L’Engle, o que lhe permite apreciar sua obra como deve ser apreciada.

Diferente do que acontece em muitas tramas de ficção, esta aqui está unicamente na imaginação. Enquanto lia Muitas Águas, consegui tirar lições que carregarei por toda a vida, mas é preciso esforço. O livro me lembrou muito o sentimento que tive ao ler O Pequeno Príncipe em diferentes faixas etárias de minha vida. Provavelmente teria tido uma outra interpretação da série Uma Dobra no Tempo anos atrás. Certamente continuarei guardando as obras na estante, pois faço questão de relê-las anos mais tarde. A magia das palavras de L’Engle é incrível, quando lida com a mentalidade correta.

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