Ler é Bom, Vai | Mentes Sombrias, de Alexandra Bracken

É provável que todo filme tenha sido um livro um dia. Dificilmente temos o caminho inverso, onde a produção cinematográfica serve de inspiração para a literária. Eu sabia da existência de Mentes Sombrias, filme estrelado por Amandla Stenberg que estreia no próximo dia 3 de agosto. Entretanto, o que eu não sabia era que a história já havia sido contada em 2013, ano de lançamento do livro de Alexandra Bracken. Qual não foi minha surpresa e felicidade ao receber um exemplar da Editora Intrínseca? Obviamente, parei tudo o que estava fazendo e comecei a ler. Assim como aconteceu com outras tramas de ficção, não demorei a gostar desta. Mas sem dúvidas, não foram muitas que me fizeram varar a madrugada lendo o livro, até terminar. Não preciso de mais justificativas para o porquê de trazer o livro para o Ler é Bom, Vai! de hoje!

Conheçam Mentes Sombrias!

Sinopse

Quando completa 10 anos, Ruby vê sua vida mudar completamente. Além do medo de ser vítima de um vírus fatal que ataca apenas as crianças, ela é rejeitada por seus pais, que a entregam para a polícia especial. Seu destino é Thurmond, um campo de reabilitação criado pelo governo norte-americano para cuidar dessa geração que possui algo diferente e ameaçador: são crianças com habilidades especiais. Elas podem controlar pessoas e objetos só com o poder da mente. Consideradas perigosas, vivem à margem da sociedade.

Mas, aos 16 anos, Ruby consegue escapar de Thurmond e muda o seu destino, ao lado de novos amigos, fugitivos como ela: Liam, Zu e Bolota. Juntos, os quatro vivem as mesmas dúvidas, medos e inseguranças. Enquanto enfrentam uma realidade assustadora, fugindo de caçadores de recompensa, da polícia e da Liga das Crianças, uma organização que quer se aproveitar dessas habilidades infantis, eles tentam encontrar o Fugitivo, um líder misterioso que oferece abrigo e ajuda às crianças. 

O Livro

Como mencionado na sinopse, Mentes Sombrias é centralizado em Ruby, personagem que será interpretada por Stenberg nos cinemas. Um pouco antes de completar 10 anos, a menina viu seu país ser assolado por uma doença misteriosa, que só agia em crianças entre 10 e 14 anos. Ao passo que muitas perderam a vida, um grupo numeroso de jovens sobreviveu. E eles se tornaram o verdadeiro problema. A razão que fez com que o seleto grupo não perecesse foram suas perigosas habilidades mentais. Aqueles que não tinham, passaram a temê-las, ou seja, os adultos.

Mentes Sombrias
Divulgação

Quando enfim completou 10 anos, Ruby foi levada pela polícia até Thurmond, uma espécie de campo de concentração onde crianças tinham seus cérebros estudados. Lá eram separados em cinco cores, de acordo com suas habilidades. Verdes e azuis estão em maioria no campo, mas não por serem mais fortes. Laranjas, amarelos e vermelhos são considerados mais perigosos e por isso, foram os mais caçados. Logo ficamos sabendo qual é a cor de Ruby, mas ela é obrigada a mentir para salvar sua vida.

“Ergui o rosto em direção à voz que flutuava. Olhei para o homem de jaleco, que me encarava, os olhos ainda desfocados. Ele murmurava algo, parecendo mastigar as palavras.
 – Eu sou…
 – Verde – afirmou ele, balançando a cabeça e com uma voz mais decidida.”

Liam, Zu e Bolota

Após conseguir finalmente fugir de Thurmond, Ruby descobre que a vida fora dos muros não é tão melhor assim. Pelo contrário, ela recebe uma dose de realidade poucos minutos depois de partir. Felizmente, o destino age a seu favor e ela encontra Zu, uma menininha assustada com pequenas luvas de borracha. Ao segui-la, Ruby descobre que tamanho realmente não é documento, uma vez que Zu consegue sozinha acabar com a eletricidade dos lugares. Ela também não está tão desamparada quanto a protagonista pensava.

É provável que a adição de Liam a história tenha sido ao mesmo tempo desnecessária e fundamental. Logo sabemos que eles formarão um casal no futuro, e isso adiciona um toque de romance a história tensa. Após tantas perdas na vida, é um alívio ver Ruby se apaixonando aos poucos. Entretanto, pode ser que o amor tenha bloqueado um pouco seus sentidos de sobrevivência, o que vai contra o objetivo principal da trama. Por mim, achei ótima a maneira como o relacionamento foi desenvolvido. Não ficou forçado e trouxe mais uma razão para entrarmos ainda mais na história de Mentes Sombrias.

Mentes Sombrias
Reprodução

O Que Achamos de Mentes Sombrias?

Logo nas primeiras 10 páginas, Alexandra Bracken consegue conquistar o leitor. Não é por acaso inclusive, que terminei sua história em apenas uma madrugada. E há muito tempo não fazia isso. A trama me lembrou muito a história de Rainha Vermelha, onde pessoas são separadas de acordo com seus poderes. Entretanto, a autora de Mentes Sombrias adicionou elementos a seu livro que o tornam único.

O livro viaja do passado para o presente entre os capítulos, o que é essencial para a compreensão da trama como um todo. Afinal, precisamos entender o passado para só então entender o futuro. Quando as engrenagens enfim começam a rodar e a história toma um rumo, as páginas voam sob os olhos do leitor. Diferente do que geralmente acontece, eu estava torcendo para não acabar, pois sei que a continuação ainda não foi publicada em português. Felizmente teremos a adaptação para os cinemas, nos permitindo reviver mais uma vez a trajetória de Ruby, Liam, Bolota e Zu.

Confesso que não imaginava que fosse gostar tanto de Mentes Sombrias. Ao ler a sinopse, imaginei que fosse ler sobre mais uma distopia envolvendo adolescentes rebeldes. Isso não deixa de acontecer, mas as características de Bracken fazem dessa distopia algo incrível. Dê uma chance a autora, ela certamente irá te surpreender.

Mentes Sombrias
Divulgação/Intrínseca

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